Identificar não é o mesmo que medir
Antes da coleta formal, a empresa precisa olhar para o que já é observável. Na Aula 07, esse levantamento aparece como uma lista fechada de sinais distribuídos em categorias como demandas e carga de trabalho, controle e autonomia, apoio e relações, clareza de papel, mudanças organizacionais, saúde e bem-estar e segurança psicológica.
A lista fechada resolve um problema prático. Sem ela, cada pessoa enxerga apenas o que já sabe procurar. Percorrer todas as categorias, inclusive as que parecem não se aplicar àquela operação, costuma revelar justamente o sinal que ninguém estava vendo.
Os quatro sinais que interrompem o fluxo normal
Relatos de assédio moral, relatos de assédio sexual, discriminação e ocorrências graves de saúde mental no ambiente de trabalho não seguem o caminho dos demais registros. Quando aparecem, o encaminhamento acontece no mesmo dia: canal de ética, direção e, quando aplicável, a rede de apoio da empresa.
Nesse momento o documento deixa de funcionar como levantamento e passa a exigir uma ação. Marcar o sinal e seguir preenchendo o restante da lista cria um registro datado de que a organização sabia, sem nenhuma providência ao lado. Em uma verificação posterior, esse é o tipo de contradição mais difícil de explicar.
- Relatos de assédio moral.
- Relatos de assédio sexual.
- Situações de discriminação.
- Ocorrências graves de saúde mental no ambiente de trabalho.
Sinal sem localização não vira medida
Para cada item, registre duas informações: se o sinal existe e com que frequência aparece. A frequência é o que vai alimentar a avaliação de probabilidade mais adiante. Só marcar presença deixa metade do trabalho por fazer.
Depois vem a localização. Dizer que há sobrecarga na empresa não produz nenhuma decisão. Dizer que duas pessoas de uma área relatam sobrecarga no fechamento do mês aponta onde agir, quando agir e com quem conversar. Sem esse recorte, o plano de ação recebe um problema que não sabe onde tratar.
Há ainda uma tentação a evitar: marcar apenas os sinais que já têm solução encaminhada. O levantamento é diagnóstico, não vitrine. Um sinal omitido por conveniência reaparece na coleta anônima, e a divergência entre o que a empresa registrou e o que os trabalhadores responderam fica visível no relatório.