Riscos · Retorno sobre Prevenção

O retorno de investir em saúde mental no trabalho: o que a OMS e a OIT mostram sobre produtividade

6 min de leituraAtualizado em 16 de setembro de 2026Riscos

Por Angélica Nascimento · Fundadora e CEO do IDHAN — Especialista em Saúde Mental no Trabalho e NR-1

Resposta rápida

A OMS estima que ansiedade e depressão custam cerca de US$ 1 trilhão por ano à economia global, com 12 bilhões de dias de trabalho perdidos. OMS e OIT (2022) estimam um retorno de cerca de R$ 4 para cada R$ 1 investido em saúde mental no trabalho — mas esse retorno vem de tratar a causa com processo, não de ações pontuais de bem-estar.

A conversa sobre riscos psicossociais costuma girar só em torno do que se perde ao ignorá-los. Mas existe um outro lado, menos falado e igualmente baseado em dado: segundo a OMS e a OIT, cada real investido em saúde mental no trabalho retorna cerca de quatro reais em produtividade.

Pontos principais

  • Ansiedade e depressão custam cerca de US$ 1 trilhão por ano à economia global (OMS)
  • 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos por ano no mundo por ansiedade e depressão
  • Retorno estimado de ~R$ 4 para cada R$ 1 investido em saúde mental no trabalho (OMS/OIT, 2022)
  • O retorno vem de tratar a causa, não de uma ação pontual de bem-estar

O tamanho do problema, em números

A Organização Mundial da Saúde estima que a depressão e a ansiedade geram perdas de cerca de US$ 1 trilhão por ano para a economia global, com 12 bilhões de dias de trabalho perdidos anualmente por essas duas condições.

No Brasil, o INSS concedeu mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária ligados a transtornos mentais e comportamentais em 2025 — o quinto ano seguido de alta, com um custo direto estimado em bilhões de reais para a Previdência Social.

O retorno de tratar a causa, não só o sintoma

Um relatório da OMS e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 2022, estima que cada real investido em saúde mental no trabalho retorna cerca de quatro reais em resultado e ganho de produtividade. Uma análise da Deloitte, em 2024, chegou a uma proporção semelhante ao revisar estudos sobre intervenções no ambiente de trabalho.

Esse retorno não vem de qualquer iniciativa — vem de tratar a causa. Uma palestra de bem-estar isolada, sem processo de identificação e prevenção por trás, tende a não capturar esse resultado, porque não altera a condição de trabalho que gerou o risco.

Fonte dos números

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), relatório de 2022 sobre saúde mental no trabalho, e dados do INSS/Ministério da Previdência Social sobre benefícios por incapacidade temporária no Brasil.

Como a NR-1 aproximou essa lógica da obrigação legal

A NR-1 exige identificar, avaliar, controlar e monitorar os fatores de risco psicossocial dentro do GRO — o mesmo tipo de processo sistemático que sustenta o retorno mostrado por OMS e OIT, porque atua na causa, não no sintoma.

Isso não significa que cumprir a norma garante, por si só, o retorno financeiro estimado nesses relatórios — cada organização tem variáveis próprias. Mas a lógica de identificar e tratar a causa, em vez de remediar o efeito, é a mesma que a norma passou a exigir.

Próximo passo

Trate a causa com um processo, não com uma ação isolada

O Método PROTEGE conecta identificação, avaliação, plano de ação e monitoramento em uma única sequência — a mesma lógica que sustenta o retorno mostrado pela OMS e pela OIT.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre riscos na NR-1

Quanto custa a saúde mental para a economia global segundo a OMS?

A OMS estima que depressão e ansiedade geram perdas de cerca de US$ 1 trilhão por ano à economia global, com 12 bilhões de dias de trabalho perdidos anualmente no mundo por essas duas condições.

Qual é o retorno de investir em saúde mental no trabalho segundo a OMS e a OIT?

Um relatório da OMS e da OIT de 2022 estima um retorno de cerca de quatro reais para cada real investido em saúde mental no trabalho, em resultado e ganho de produtividade.

Uma palestra de bem-estar já garante esse retorno para a empresa?

Não necessariamente. O retorno estimado por OMS e OIT está ligado a tratar a causa com um processo sistemático de identificação e prevenção — uma ação pontual e isolada, sem esse processo por trás, tende a não capturar o mesmo resultado.

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