O que o turnover realmente custa
O custo de substituição não é só o anúncio da vaga. Ele soma desligamento, recrutamento, seleção, treinamento e a produtividade perdida até a pessoa nova atingir o ritmo do cargo.
Pesquisas de RH mostram faixas por nível: cargos operacionais custam entre 30% e 50% do salário anual para repor; cargos técnicos, especializados ou de gestão chegam a 100%–150%; em casos extremos, a substituição pode custar até 200% do salário anual da pessoa que saiu.
O Brasil lidera o ranking mundial de rotatividade
Com uma taxa de turnover estimada em 56%, o Brasil está no topo da lista global — e estimativas de mercado apontam um gasto agregado de cerca de R$ 600 bilhões por ano das empresas brasileiras com rotatividade.
O que o afastamento por saúde mental custa
Em 2025, o INSS concedeu mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária ligados a transtornos mentais e comportamentais — alta de 15,66% sobre os 472 mil de 2024, o quinto ano seguido de crescimento. Ansiedade e depressão já ficam atrás apenas das doenças de coluna como causa de afastamento no país.
Além do custo direto ao INSS — estimado em bilhões de reais por ano —, cada afastamento por adoecimento relacionado ao trabalho pode elevar o FAP (Fator Acidentário de Prevenção) da empresa, aumentando por até dois anos a alíquota do RAT que ela recolhe ao INSS sobre a folha de pagamento.
O elo entre os dois números e a ausência de processo
Turnover e afastamento raramente aparecem como problema de NR-1 na conversa interna — aparecem como problema de RH ou de clima. Mas os dois costumam ter a mesma raiz: sobrecarga, jornada, ambiguidade de papéis ou falta de suporte de liderança não identificados a tempo.
Sem um processo de identificação e prevenção, a empresa só descobre o risco depois que ele já virou afastamento ou pedido de demissão — o momento mais caro possível para descobrir.
O retorno de agir antes
Segundo estimativa da OMS e da OIT (2022), cada real investido em saúde mental no trabalho retorna cerca de quatro reais em produtividade — porque ansiedade e depressão já custam 12 bilhões de dias de trabalho perdidos por ano no mundo. O retorno existe quando a causa é tratada, não quando o sintoma é remediado com uma ação pontual.