Implementação · Modelo de Questionário

Modelo de questionário de avaliação psicossocial para a NR-1: estrutura pronta para adaptar

9 min de leituraAtualizado em 29 de julho de 2026Implementação

Resposta rápida

Um questionário psicossocial válido para a NR-1 cobre 6 blocos temáticos (demandas, controle, apoio social, reconhecimento, insegurança e assédio), com perguntas em escala, não em texto livre. Copiar um modelo genérico sem adaptar ao setor da empresa reduz a qualidade dos dados. As respostas devem ser consolidadas por grupo e alimentar o inventário de riscos do PGR, nunca ficar soltas.

Um dos pedidos mais comuns de quem começa a implementar a NR-1 é "me dá um modelo pronto de questionário". O problema é que um questionário genérico, copiado sem adaptação, tende a gerar dados fracos — perguntas que não fazem sentido para o setor, linguagem que não engaja os respondentes, ou blocos que faltam justamente o fator de risco mais relevante para aquela empresa. Este guia mostra a estrutura completa que um questionário psicossocial precisa ter, com exemplos de pergunta por bloco, para você adaptar com critério em vez de copiar sem pensar.

Pontos principais

  • Um questionário psicossocial válido tem 6 blocos temáticos, não uma lista solta de perguntas
  • Cada pergunta deve poder ser respondida em escala (ex: 1 a 5), não em texto livre
  • Adaptar o vocabulário ao setor da empresa aumenta a taxa de resposta e a qualidade dos dados
  • O modelo aqui é ponto de partida, não substitui validação por profissional habilitado

Os 6 blocos de um questionário psicossocial completo

Instrumentos validados como o COPSOQ III organizam as perguntas em blocos temáticos. Um modelo adaptado para NR-1 costuma cobrir, no mínimo, estes seis:

  • Demandas do trabalho — volume, ritmo, prazos, exigência emocional e cognitiva
  • Controle e autonomia — poder de decisão sobre o próprio trabalho, participação em mudanças
  • Apoio social e liderança — suporte de colegas e gestores, clareza de papel e comunicação
  • Reconhecimento e recompensa — justiça percebida, valorização, perspectiva de crescimento
  • Insegurança — estabilidade no emprego, mudanças organizacionais, medo de demissão
  • Assédio e violência — exposição a assédio moral, sexual ou violência no ambiente de trabalho

Um bloco fraco derruba o inventário inteiro

Se o questionário pula o bloco de assédio ou de insegurança porque "não é problema aqui", a empresa fica sem evidência justamente no fator que, historicamente, mais aparece em ações trabalhistas e denúncias. Cubra os seis blocos mesmo que a expectativa seja de baixo risco.

Exemplos de pergunta por bloco

Cada pergunta deve ser respondida em escala (frequência ou concordância, tipicamente de 1 a 5), nunca em texto livre — texto livre dificulta a consolidação estatística e a comparação entre grupos. Alguns exemplos, um por bloco:

  • Demandas: "Com que frequência você precisa trabalhar em ritmo acelerado para cumprir prazos?"
  • Controle: "Você tem liberdade para decidir como organizar suas tarefas diárias?"
  • Apoio social: "Você recebe apoio da sua liderança quando enfrenta dificuldades no trabalho?"
  • Reconhecimento: "O reconhecimento que você recebe é proporcional ao esforço que você faz?"
  • Insegurança: "Você se preocupa em perder o emprego nos próximos meses?"
  • Assédio: "Nos últimos 12 meses, você presenciou ou sofreu algum tipo de assédio no trabalho?"

Como adaptar sem perder validade técnica

Adaptar não é reescrever tudo — é ajustar vocabulário e exemplos ao contexto real da empresa sem alterar o que a pergunta está medindo. Para uma indústria, "ritmo de trabalho" pode virar uma referência a metas de produção; para um call center, a referências a tempo médio de atendimento; para hospitais, a plantões e escalas.

Evite adicionar perguntas identificáveis (nome, cargo específico numa equipe pequena, data de nascimento) que possam, mesmo sem intenção, permitir identificar quem respondeu o quê. Isso é tanto uma exigência de LGPD quanto uma condição para os trabalhadores responderem com honestidade.

O que fazer com as respostas

O questionário respondido não é o produto final — é insumo. As respostas precisam ser consolidadas por grupo (nunca por indivíduo), classificadas por probabilidade e severidade, e viram a base do inventário de riscos psicossociais no PGR. Sem esse tratamento, mesmo o melhor questionário não sustenta a NR-1.

Próximo passo

Não reinvente o questionário do zero

Os 42 documentos PROTEGE incluem o questionário psicossocial estruturado, pronto para adaptar ao seu setor, além do modelo de consolidação e inventário de riscos.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre implementação na NR-1

Existe um modelo oficial de questionário exigido pela NR-1?

Não. O Ministério do Trabalho não exige um instrumento específico. O que se espera é que o questionário seja tecnicamente consistente, cubra os principais fatores psicossociais e permita análise por grupo ocupacional — instrumentos como COPSOQ, JCQ e ERI são referências reconhecidas.

Posso usar um questionário de clima organizacional para a NR-1?

Não diretamente. Pesquisas de clima medem satisfação geral e não cobrem, com o rigor necessário, fatores como assédio, insegurança ou sobrecarga na forma exigida pela NR-1. Um questionário psicossocial precisa ser desenhado especificamente para identificar esses fatores de risco.

Quantas perguntas um questionário psicossocial deve ter?

Varia por instrumento — o COPSOQ III completo tem 44 itens, mas versões reduzidas com 20 a 30 perguntas, cobrindo os 6 blocos, costumam ser suficientes para a maioria das empresas. Mais importante que a quantidade é cobrir todos os blocos com perguntas em escala.

Preciso de um psicólogo para validar o questionário?

Recomendado, principalmente para adaptar a linguagem e validar a metodologia. O questionário em si pode ser aplicado por RH ou SST, mas a interpretação de resultados mais sensíveis e a definição de ações costuma se beneficiar de apoio técnico especializado.