1. Comece pelo briefing da empresa
Pergunte quantas unidades, áreas e grupos de trabalhadores entram no projeto; como funciona a organização do trabalho; quais documentos de GRO/PGR e avaliações ergonômicas já existem; e quem, na empresa, aprovará o escopo, fornecerá dados e decidirá as medidas. Verifique também prazos internos, acesso às lideranças e restrições de confidencialidade.
O briefing não é o diagnóstico final. Seu objetivo é dimensionar o trabalho e identificar o que ainda precisa ser conhecido antes de oferecer uma entrega responsável. Quando a empresa não consegue informar um dado, registre a pendência e a premissa usada na proposta.
- Estrutura: unidades, número aproximado de trabalhadores, turnos, áreas e formas de trabalho
- Base existente: PGR, inventário, plano de ação, AEP/AET quando aplicável e registros relevantes
- Pessoas e decisões: patrocinador interno, RH, SST, lideranças, trabalhadores e responsáveis por aprovações
- Restrições: acesso a informações, grupos pequenos, confidencialidade, cronograma e disponibilidade da equipe
2. Descreva o problema e o resultado contratado
Evite vender algo vago como ‘regularizar a NR-1’. Descreva o objetivo operacional: organizar a identificação e avaliação dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho, propor medidas de prevenção, registrar decisões e criar uma rotina de acompanhamento compatível com o contexto da empresa.
A proposta deve explicar como esse trabalho se conecta ao GRO/PGR e, quando pertinente, à ergonomia. Um questionário pode apoiar a coleta, mas não representa sozinho o processo completo. O resultado contratado são atividades e entregáveis verificáveis, não a garantia de que não haverá fiscalização, adoecimento ou disputa judicial.
3. Quebre o projeto em fases e entregáveis
Uma sequência ajuda o cliente a saber o que acontecerá e quando precisará participar. Ajuste cada fase ao porte e às condições reais da organização; os nomes abaixo são um modelo de organização comercial, não uma lista fechada imposta pela NR-1.
- 1Preparação: reunião inicial, escopo validado, responsáveis, fontes disponíveis e plano de trabalho
- 2Reconhecimento: leitura do contexto e dos fatores relacionados à organização e gestão do trabalho
- 3Avaliação: plano de coleta, critérios definidos, aplicação adequada e análise dos resultados com suas limitações
- 4Decisão: registro dos riscos, medidas de prevenção, prioridades, responsáveis, prazos e indicadores
- 5Entrega: revisão com a empresa, documentos acordados, evidências, pendências e orientação para continuidade
Exemplo fictício de escopo
Uma unidade, três grupos de trabalho, duas reuniões de validação, leitura dos documentos fornecidos, plano de coleta aprovado, análise contextual, proposta de medidas e relatório de entrega. O exemplo não define prazo, preço ou composição técnica para uma empresa real.
4. Declare responsabilidades, exclusões e proteção de dados
A empresa precisa indicar quem fornecerá informações, facilitará a participação dos trabalhadores, validará registros e decidirá e executará as medidas. O prestador precisa dizer quem realizará cada atividade, como apresentará limitações e quando será necessário envolver outro profissional competente. Atos reservados, avaliações clínicas individuais, laudos e trabalhos adicionais devem ter escopo próprio quando aplicáveis.
Explique quais dados serão tratados, com qual finalidade, quem terá acesso, como serão apresentados resultados de grupos pequenos e como ocorrerá a entrega ou retenção dos arquivos. A proposta comercial descreve essas condições; o contrato e os documentos de privacidade devem detalhá-las conforme o caso.
5. Defina investimento e condições de contratação
Depois de estimar horas, equipe, deslocamentos, ferramentas, custos comerciais, tributos e reserva operacional, informe o preço total do projeto e as etapas de pagamento. Se houver acompanhamento posterior, apresente-o em linha separada, com frequência, entregas e preço próprios. A NR-1 não obriga a empresa a comprar uma consultoria anual específica.
Inclua validade da proposta, premissas de cronograma, número de revisões, critérios de aceite e procedimento para mudanças de escopo. Se surgir uma unidade adicional, uma nova coleta ou um laudo fora do combinado, as partes devem poder reconhecer que se trata de trabalho adicional antes da execução.
6. Revise a proposta como o cliente irá lê-la
Uma boa prova final é pedir que uma pessoa sem conhecimento do método responda: o que será feito, o que receberemos, o que precisamos fornecer, quando decidiremos as medidas, quanto pagaremos e o que acontece após a entrega? Se alguma resposta depender de uma explicação verbal, reescreva a proposta.
O kit gratuito para consultores da IDHAN já reúne um briefing editável, um modelo de proposta de escopo, um mapa de entregáveis e um checklist de participação do cliente. Use os arquivos como ponto de partida e ajuste as responsabilidades e valores ao projeto efetivamente contratado.